Escola Livre de Cinema

A Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu é a primeira escola de audiovisual da Baixada Fluminense e funciona desde julho de 2006 no Bairro de Miguel Couto. Em março de 2007 foram inaugurados núcleos avançados da escola nos bairros de Cerâmica, Austin e Jardim Tropical. Sob a direção do cineasta e diretor teatral Marcus Vinícius Faustini, a Escola é fruto da parceria entre o projeto Reperiferia e o programa Bairro Escola da Prefeitura de Nova Iguaçu.

Tendo como eixo principal, a prática de experiências com técnicas cinematográficas em oficinas direcionadas para jovens, adultos e idosos, a Escola pretende despertar nos participantes através do uso da câmera a necessidade da percepção do outro. A apropriação da linguagem documental, o uso da oralidade diante da câmera e a provocação que esta mesma câmera pode expressar identidades e subjetividades a partir do olhar sobre o outro e do seu território pautam as nossas ações cotidianas.

A Escola tem quatro eixos de atuação principais:

1) Participação na Integralidade dos alunos do município de Nova Iguaçu:
O programa Bairro Escola é um processo educativo criado pela Prefeitura de Nova Iguaçu que articula o bairro e a escola numa dinâmica de práticas sociais e criativas que apontam para uma relação mais direta ente a comunidade e a educação. Um dos eixos do programa visa proporcionar às crianças e jovens entre 5 e 18 anos, estudantes de escolas municipais, um turno a mais de ensino. O foco principal da ação é articular atores sociais - comunidade, professores, estudantes, governo local - em busca de um único objetivo: a promoção da educação integral. A Escola Livre de Cinema participa deste processo oferecendo a esses alunos (5ª à 8ª série) as aulas de Realização Fílmica e Animação. Através da democratização dos conceitos do audiovisual, os alunos passam a pensar em cinema como uma realização possível do seu cotidiano dentro da sua própria comunidade, utilizando a rua, a praça, os vizinhos como dispositivos. Nos primeiros seis meses desta ação os alunos produziram 7 filmes de animação e quatro pequenos documentários sobre o olhar deles com o bairro.  

2) Núcleo de formação
Artística e Profissional:
A Escola Livre de Cinema é a primeira escola de audiovisual totalmente gratuita da baixada fluminense, chegando a ter impacto na periferia do Rio de Janeiro. A presença de uma instituição como essa produz um significado importante na construção simbólica territorial e no direito ao acesso as práticas tecnológicas contemporâneas.
Este curso visa formar profissionais realizadores do audiovisual, com aulas de linguagem cinematográfica, montagem, direção e etc. O programa de formação da Escola envolve um corpo docente altamente qualificado. As aulas acontecem à noite, de terça à sexta-feira, no núcleo de Miguel Couto. A prefeitura de Nova Iguaçu ainda disponibiliza 40 bolsas de auxílio transporte para alunos deste curso.

A primeira turma experimental do núcleo realizou o curta-metragem documental “CANTE UM FUNK PARA UM FILME
”, que traz um olhar afetivo sobre a relação dos moradores da baixada com os vinte anos desta manifestação cultural.

3)  Audiovisual como ferramenta  para educação:     

Tendo como foco a difusão de conhecimentos no processo educativo dentro da sala de aula, este núcleo a partir do trabalho com as alunas normalistas, desenvolve leituras do audiovisual para além do uso da câmera. Por outro lado a Escola Livre de Cinema contribui em processos de alfabetização de adultos.

4) Comunidade
:
Com o objetivo de estabelecer uma relação de integração com a comunidade desenvolvemos as seguintes ações:       

Coletores de Imagem
– Alunos da Escola Livre de Cinema andam pelas ruas da cidade colhendo depoimentos e imagens das próprias vidas de moradores por meio de registros em vídeos e também fotográficos. Depois o material é editado pelos próprios alunos e exibido em locais públicos da cidade.                                                                                                 

Cinema nas Ruas
– São feitas exibições de filmes em praças públicas, conjuntamente com manifestações populares.

Locadoras de Vídeo
– Realizamos encontros com donos de locadoras para contribuir na instrumentalização destes espaços como centros de ações culturais e para abrigarem as produções da escola e de cinema independente.

SALA DE CINEMA

Junto com a criação da escola o projeto abrirá uma sala de cinema de 200 lugares que servirá como sala de estudo, cineclube e sala de exibição de filmes do circuito comercial contribuindo para a aproximação da cinematografia mundial dos alunos e da comunidade.